quarta-feira, 11 de maio de 2011

Mãe - uma profissão de vida

Dia 08/05/2011 - Dia das Mães. Eu sei, como é praxe, estou atrasada na minha homenagem bloguial. Porém, não há problema, porque todo dia é dia de mãe.

Oi, sou clichê. Tá, sou, na verdade, cara-de-pau, e uso de um clichê pra justificar minha desorganização. Né? Nem tanto. Às vezes os clichês cansam por serem tão verdadeiros. No dia seguinte ao das mães pude verificá-lo, quando, desesperada por causa de inúmeros contratempos com a faculdade e estando num dia péssimo, com um carinho no rosto, minha mãe disse: "Minha filha, é só um dia, é só uma prova, isso tudo se resolve e vai ficar pequeno depois, você vai ver". É, com esse pequeno gesto, gesticulação de amor materno, eu pude ver: sim, domingo, segunda, no dia especial ou depois: todo o dia, a minha mãe é mãe - e que mãe! Por isso, todo dia tem de ser dedicado a ela, tem ser dela.

Mas a comemoração comercial gera dinheiro, movimenta economia, impulsiona criação de comerciais cheios de encanto com mães abraçando seus filhos, alguns um tanto lugar-comum, outros realmente emocionantes. E sim, é válido ter um dia pra ela chamar de seu por direito (ainda que economicamente concedido). Porém, é imprescindível, se ainda se quer mudar os valores da humanidade, restaurar o sentido de amor, compreensão, de família, verificar o papel importante e insubstituível que as mães, as verdadeiras mães, exercem.

Sim, parece que elas assinam um contrato antes dos filhos nascerem com inúmeras e famigeradas cláusulas:

- Hei de ser chata e encher sua paciência pelo resto da sua vida;
- Impedirei seus programas favoritos quando bem entender, porque eu te gerei, e até você ter sua casa, sua família, seu dinheiro, você faz o que eu mando;
- Direi "NÃO" a praticamente todos os seus requisitos, sem mais nem menos, porque dá vontade. Algumas vezes, não vai adiantar chiar (e se o fizer, será pior, sob pena de aumento da punição); outras, sim, digo "não" pra depois dizer "sim". Mas faz parte da minha natureza e, não sei, eu gosto;
- Hei de formular inquéritos padronizados todas as vezes que você pensar em sair de casa e antes mesmo disso: com quem você PENSA que vai, que horas PENSA que volta, como PENSA que vai retornar ao lar. O verbo PENSA em letras garrafais já indica que estou propensa a vetar seu programa, ainda que esteja em cima da hora. As justificativas se enquadram na cláusula anterior. E não se esqueça: isso aqui é uma casa, não um hotel;
- Farei chantagem emocional, envolvendo os 9 árduos, dolorosos e longos meses que passei dedicando-me unicamente ao seu bem-estar dentro do meu ser, e ainda com mais força evocarei a dor excruciante do parto. Também vou envolver o ato de culpar a mim mesma para provocar a sua piedade e fazer com que você mude de ideia e pense sobre o filho(a) ingrato (a) que está sendo pra mim;
- Reclamarei da sua vestimenta, dos seus modos à mesa, dos seus comportamentos diante das visitas, dos seus namoros e de tudo que estiver ao meu alcance e o que não estiver também.

E assim por diante. E não adianta reclamar, pois é um acordo unilateral. Não, você não é consultado, nem sequer precisa assiná-lo. Sua assinatura, aliás, é o seu DNA, principalmente o mitocondrial, nesse caso. É isso aí, você nasceu pra isso, por causa disso e vai conviver com isso pelo resto da sua vida.

Tá bom, parei. Mamães, não insultem meu blog: é muito mais divertido apontar aqueles "defeitos" de mãe que a gente atribui a todas, junto com aquele famoso ditado: "Mãe é sempre a mesma, só muda o nome e o endereço". Por que coloquei defeitos entre aspas? Porque de maneira alguma o são, na realidade. São demonstrações corriqueiras, muitas vezes cômicas, disfarçadas, mas sempre genuínas do amor materno.

A lista daquelas atitudes mais obviamente imbuídas de ternura e coragem (porque é preciso pra fazer esse trabalho como deve ser feito, e em GRANDE quantidade!), iria ser ainda mais extensa. Desde as mais simples, como o preparar do café-da-manhã, a roupa sempre limpa, lavada e cheirosa, a comidinha inigualável, os mimos e atenções aos mais magnânimos, como o chorar junto do filho, o preferir padecer em seu lugar, a doação da própria vida por aquela que gerou. Não importa em qual nível estejamos, falar de maternidade é falar de DOAÇÃO, PLENA, TOTAL. Infelizmente, nossa sociedade atual esqueceu-se disso.

O feminismo clamou por muito tempo pela independência da mulher, pela sua desvinculação do papel de mãe e dona-de-casa, pleiteando uma "igualdade" em relação ao homem que não existe. Não me entendam mal, não estou dizendo que mulheres tem de ser subjugadas porque são inferiores aos homens, porque não o são, MESMO. Tem os mesmos direitos, é claro; no entanto, são diferentes e sempre serão. E se os homens não são melhores, por que ser iguais a eles? A mulher, nessa atitude, acabou muitas vezes indo na direção contrária, copiando tudo o que o homem faz de errado pra se poder dizer em pé de igualdade, fugindo da natureza de sua sexualidade. O feminismo teve seus méritos, não duvido. Mas é triste ver como se perderam tantas características valiosas da mulher em nome de sua "masculinização" - manifestação mais chauvinista, impossível.

As mulheres que querem fazer o bem à sociedade, transformá-la, melhorá-la, vão por muitas vias mas, infeliz e frequentemente, esquecem a principal. A maternidade é o maior caminho para a mudança social. Sim! É através dela, gerando, educando no amor, que se modifica o mundo. Porque se uma mãe tem noção de sua responsabilidade social, age de acordo com ela e ainda ensina os seus pequenos a fazê-lo também, mostrando a dignidade do ser humano e tudo o que a envolve, então ganha companheiros de luta: são mais pessoas querendo mudar o mundo! E o melhor, pessoas ligadas por laços fortes de sangue e de carinho. Isso tudo acontece quando se toma consciência de como a maternidade é magnânima, grandiosa, um verdadeiro dom, uma autêntica vocação. O amor de uma mãe pelo seu filho é o que mais se aproxima na comparação do amor de Deus pelos homens - só por isso, já dá pra ver o naipe da tarefa, né?

Deus permite que a mulher (e o homem também, é óbvio!) contribua com a sua obra de criação, sendo co-criadora (co-criadores!). Isso é tão maravilhoso! Como pode ser rejeitado, subestimado pela nossa cultura atual? Como não se enlaçar com o filho pela vida inteira a partir do momento que ele se enlaça no ventre? Como é que isso pode chegar a ser considerado, absurdamente, como um fardo, ou uma doença, algo o qual se evita de tantas maneiras artificiais? É triste ver a maneira com que foi preterida a principal profissão da mulher dentro de uma família, o papel seu que garante o futuro da humanidade, a base da sociedade. Se é nas crianças que se modifica o planeta (e com certeza, é nelas mesmo), então o verdadeiro começo está nos pais, e mãe representa uma parte essencial, da qual foi imcumbida e não pode se desfazer. É claro, sem de nenhuma maneira esquecer a paternidade complementa, unifica, é a outra metade, indispensável também.

Os pais são os troncos que, com os filhos como seus galhos, formam suas árvores genealógicas. Eles são a base, o que dá a sustentação, o suporte: é preciso que permaneçam unidos para as ramificações possam crescer firmes. E as mães constituem a parte mais florida e delicada desse tronco, sem jamais deixar de ser forte.

Por isso, aquelas que cumprem seu papel com esmero e dedicação todos os dias merecem medalhas, condecorações, faixas, coroas, todas as homenagens do mundo, porque realizam a formação deste. Mas o que mais merecem é amor em retorno, dos seus filhos e filhas muitas vezes tão ingratos. Em tudo o que fazem, carregam sua feminilidade e seu cargo, sem nunca largá-lo por mais pesado que seja. São heroínas, corajosas, as sementes de um mundo melhor. São mães duas vezes, sendo avós; três vezes, sendo bisavós e assim vai; o mais impressionante é que quanto mais vezes o sejam, maior é o amor - ele NUNCA se esgota. Pelo contrário, ele é o fermento de si mesmo e, por natureza, só pode crescer.


Esse post foi escrito, obviamente, em inspiração vinda da minha mãe, pequenina, forte, maravilhosa, que sempre amou, ama e amará com impressionante e inexorável dedicação seus cinco filhos, de uma forma constantemente saudosa, preocupada, assistente. Tudo isso só faz com que nós a amemos cada dia mais, por tudo que é. Mãezinha, favo de mel, obrigada por tudo!

Para finalizar, a visão de outros sobre o que é uma Mãe, a visão que acaba sendo universal:


Para Sempre

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.


(Carlos Drummond de Andrade, sempre brilhante)


A genialidade de Chico Buarque, contando as angústias de tantas mães, que sofrem pelos seus filhos e que os amam incondicionalmente.




Todas as frases clássicas de mãe reunidas em 3 minutos: qual não vai se identificar?




At last, but not least, a Maior Mãe do mundo com o Maior Filho do mundo...

video

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Retrato mal-falado




Não se aproxime de mim
Se na sua displicência
For exibir seus talentos de ator
Não venha tentar me conquistar
Me fazer entregar afeição em pétala de flor
Se pretende devolver um miolo mastigado
Fruto da falta de um amor

Às vezes não durmo no meu sono
Não choro minhas lágrimas
Não sofro em minha dor
Às vezes sou tantas coisas contínuas
Que não sei mais exatamente quem sou

Não falo por mim mesma
Falo por alguém que sei que sou.

Agora fiquei assim
Desse jeito estranho
Depois que tudo passou
Com medo de olhar além do muro
Que com seus arames me perfurou
Os arames da paixão que nutri
E que por fim me encasulou

Às vezes sou uma estranha
Dentro de sua própria fortaleza
Alguém que não lembra de onde veio
E não sabe bem por onde entrou

Não falo só por mim mesma
Falo por alguém que está onde estou.

Não se aproxime de mim
Se porventura tiver aversão
A alguém quer fugir e se esconder
Do tal famigerado padrão.
Sou maluca, sim, senhor!
Não sou normal por não ter razão.
Não incite ou inflame meu afeto
A bel prazer, só por diversão

Às vezes volto a pensar alto
Em tudo que sobra do que ficou
Às vezes volto a chorar baixo
As lágrimas que nenhuma mão secou.

Não falo por mim mesma
Não, senhor...
Falo por alguém que você deixou.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Quem quer viver para sempre?



É difícil começar a escrever sobre um assunto que promete ser comum, batido, vulgar. É complicado tentar abordar um ponto que inquieta a todos, ou pelo menos a muitos, de forma a buscar um aspecto ou reflexão diferente nele. É cansativo, em matéria de material humano, ser original.

Mas continuo tentando.

Queria falar hoje aqui de uma questão importante, comumente tratada - em ambos os sentidos: tanto de ser várias vezes levantada quanto de receber respostas comuns, meio "blé", sem graça. "Por que estamos aqui?"; "Para onde vamos?"; "Qual é o sentido da vida?". Não, não! Sem essas perguntas existenciais e chatolinas. Desejo ir, na verdade, um pouco além dessa linha supostamente profunda, mas, afinal, leviana. É uma questão que engloba todas essas e vai além: O que é que nós deixamos para trás?

Eu fico olhando algumas coisas e meditando... Tipo essa 11ª edição da maior encheção de saco de todos os tempos da TV brasileira: Big Brother Brasil. Não, não, me recuso a gastar um post dedicado a esta bodega (eu tento ser delicada no meu blog, tá!), até porque em um anterior já gastei muito tempo e esse é um tratamento do qual não acredito ser este programinha merecedor. Mas quando páro para analisar... Ele é um retrato dessa sede, que não é peculiar somente aos brasileiros mas ao ser humano em geral, de fama. Fama, fama, fama. Yes holofotes, no anonimato. Essa ânsia toda, que me dá às vezes ânsia de vômito, é fruto de uma necessidade esquisita de, por algum meio, "perpetuar-se". É resultado de uma lógica ilusória segundo a qual, através da exposição a um número cada vez maior de pessoas, se consegue permanecer, de alguma forma, vivo eternamente, já que sabemos que todos morremos um dia. É ilusória inclusive porque essa fama medíocre que se consegue só dura alguns meses, tamanha mediocridade. Se todo mundo souber meu nome, seja lá pelo que eu tenha feito, se eu tiver mérito ou não, de alguma forma eu vou viver pra sempre nesse mundo... Será?

Não estou querendo bancar Freud, embora haja um embasamento teórico dentro da Psicologia para isso de que falo aqui. Porém, não precisa ser dessa área pra se entender o que estou falando: faz parte de nós todos. Afinal, ninguém quer morrer. Inclusive, o Homem, através de suas ciências, às vezes pouco cientes de riscos ou responsabilidades, dá piruetas loucas para tentar encontrar maneiras não só de aumentar a sua longevidade mas de, quem sabe, eliminar o último dia de vida na Terra. É, em parte, nosso instinto de sobrevivência e, no todo, nossa falta de fé ou de noção. Na verdade, também advém do nosso espanto diante da fragilidade da vida.

Pelo menos para mim, isso salta aos olhos. Nossa imensa fragilidade. Acompanhamos, nas últimas semanas, as tragédias, perdas e mortes causadas pelas chuvas na região serrana do Estado do Rio de Janeiro. É triste ver o desalento, o medo, a falta de recursos de tantos que se sentem abandonados pelas autoridades, entregues à própria sorte, à mercê de um destino incerto. Dói no coração ver na TV aquelas pessoas dizendo que não tem para onde ir e perderam tudo. E as cenas, devastadoras e impressionantes, nos mostram novamente como tudo aqui neste mundo é delicado, volúvel, temporário. Num instante, está tudo aqui, perfeito, intacto; no outro, está em outro lugar, sabe-se lá Deus onde e como, carregado por um temporal. Telhados, móveis, casas... e também, inevitavelmente, vidas. É doloroso e difícil de encarar, por isso relutamos tanto, mas torna-se visível que as coisas aqui desta Terra não são feitas para durar para sempre. Como diria George Harrison, "all things must pass away".

Entretanto, é desconcertante. É dificil aquiescer diante do fato de que temos um fim (uma finalidade e um término). Porque fere nosso orgulho, porque na nossa vaidade queremos ser onipresentes, oniscientes, onipotentes, totalmente perenes. Por isso que a fama nos infla, excita, instiga e até acalma, mas essa sensação de preenchimento só dura alguns instantes, pois não é sólida: é etérea, esfumaçada, inconstante. Não é verdadeira.

Por outro lado, é tão bonito ver a iniciativa de tantas pessoas, dispostas a sacrificar-se e comprometer-se para ajudar essas inúmeras vidas prejudicadas. Faz-nos acreditar na bondade do ser humano, no fato de que a autêntica filantropia não se escora somente na base de se conhecemos quem é necessitado de ajuda ou não, se é nosso irmão, um parente ou um amigo e, sim, simplesmente porque o outro é um ser tão humano quanto nós. Diante disso, eu pergunto: por que não é esse tipo de fama que se deseja ter, ao invés de ser reconhecido pelo tamanho do "derrière" ou por quantas besteiras se faz? Por que não deixar pra trás, pros lados, em todo um redor, um rastro de luz que emana da bondade, do amor, da compreensão, do auxílio?

E é aí que vejo que o problema está na perspectiva sob qual se enxerga esse quadro. Não é fama que se deve buscar! Não é reconhecimento, não é holofotes, por mais que essas coisas afaguem nosso ego e endossem nossa vaidade. A melhor forma de deixar uma marca nas pessoas com as quais se convive, no meio em que se está inserido, é procurar fazer o bem, amar, ser melhor enquanto ser humano, não o mais famoso ou mais reconhecido. Estamos numa era em que se mede o quanto se é de acordo com o número de pessoas que visitam perfil do Facebook ou Orkut, quantos seguidores se tem no Twitter, quantas pessoas vêem as fotos colocadas na Internet, quantas vezes se é o centro das atenções e dos assuntos. Porém, é só parar e pensar como isso é, no fundo, estupidamente ridículo; afinal, qual é a diferença? "Hoje é o dia da caça, amanhã do caçador". Hoje somos louvados e observados, amanhã ignorados e esquecidos. Porque nada disso é relevante, nada disso muda a vida de alguém, não toca pessoas, não é diferente. É inútil.

É como no filme "Sociedade dos Poetas Mortos", o meu favorito: é tão lindo ver como uma pessoa, com intuito de fazer a diferença não para ser famoso, mas para transmitir um significado profundo de vida que atribua sentido àquelas que estão à sua volta, é capaz de exercer tamanha influência, provocar tantas mudanças. Um professor de inglês, apaixonado pela vida e pelo amor, com sua simplicidade e paixão, afetou a vida de muitos estudantes. Não precisou sair em capa de revista ou escrever artigos pro New York Times. Do lugar onde estava, ainda que discreto e modesto, porque tinha uma intenção reta e sincera, tocou tantos corações, e esses corações posteriormente tocariam tantos outros: esse é o mais contundente e eficiente efeito dominó, acreditem. Esse é um dos melhores exemplos para mim. Aliás, os exemplos anônimos frequentemente são os melhores.

Fica a pergunta: por que ações você gostaria de ser lembrado(a)? As suas atitudes sequer fazem com que você queira ser lembrado(a)? O que você gostaria de deixar para trás para as pessoas que te conhecem? O que você faz de bom para tocar outras vidas e fazê-las lembrarem de você? O que você faz para fazer bem aos outros?

E se é para se ater somente ao quesito da famosidade, pensemos em exemplos de pessoas que alcançaram fama por uma genuína intenção de acrescentar algo de bom à humanidade, por amar os outros próximos ou distantes, seus semelhantes. Ou aqueles os quais utilizaram a fama conquistada ou entregue de alguma forma para fazer algo que realmente valesse a pena. São muitas as personalidades as quais citar: Papa João Paulo II, Madre Teresa de Calcutá, São Thomas More, Gandhi, Audrey Hepburn, John Lennon, Princesa Diana, Martin Luther King Jr., George Harrison, Linda Eastman, Dra. Zilda Arns, Paul McCartney, Robert Kennedy, Immaculée Ilibagiza... tantos, tantos, tantos: eu mencionei os que me falam mais profundo e fortemente ao coração. Eles são a prova viva de que as atitudes alicerçadas no amor, por menores que sejam, provocam explosões de luz no mundo, com poder de iluminação que vai muito além do alcance da nossa vista e de nosso pífio entendimento. São provas vivas que mesmo já falecidas exercem tamanha influência, porque sua contribuição não foi material, mas foi para a alma, podendo, portanto, atravessar o tempo e durar para sempre, em forma de memória indelével e poderosa.
Sejamos, portanto, canhões de luz ambulante, deixando um rastro de amor e união. Que façamos por onde merecer lembranças carinhosas. Que possamos ser tomado como exemplos, não para nossa glória, mas para a melhora do mundo inteiro.

Esse texto é dedicado à memória do meu querido avô César, que completaria 85 anos no dia 20 de janeiro. Ele é, literalmente, uma dessas pessoas que pode já ter partido, mas continua extremamente vivo em nossos corações, porque fez por onde em sua trajetória. Professor de Psicologia e Filosofia. Possuidor de ouvido absoluto. Dono de uma voz a qual, para a minha felicidade, escutei cantando muitas belas óperas, e de uma das mais bonitas risadas que já ouvi. Co-fundador da Universidade Santa Úrsula e professor da PUC. Violonista. Dono de um gênio forte, mas principalmente um coração enorme sempre disposto a ajudar quem precisassse, fosse quem fosse. Devorador de livros, porém muito cuidadoso com todos eles. Extremamente inteligente, culto, bem-humorado, sarcástico e engraçado, amigo de muitos. Um pai e um avô dedicado, maravilhoso, cujos momentos compartilhados comigo podem não ser tantos, mas cuja lembrança pelo homem esplêndido que era já vale por muitos.

O post é dedicado a ele porque foi inspirado nele, há muito tempo. Desde que ele se foi para descansar, eu sempre pensava: se eu for metade do que meu avô foi, já estarei realizada. É com ele que eu vejo o que vale a pena, foi isso que ele deixou de legado pra mim, para os meus irmãos, e para tantas pessoas: o estudo, o esforço, a cultura, a inteligência, mas principalmente a amizade, a compaixão, a alegria, o amor.

Estão vendo? É assim que se deixa rastro. É assim que se é eterno. Quem quiser viver para sempre, seja como ele.

Também dedico esse post ao meu amado irmão, aniversariante do dia, Daniel. Porque ele também deixa rastro desde agora com seu coração grande e doce, seu jeito amigo de todos, sua inteligência, altruísmo, constante atenção às necessidades alheias, que acabam por não ser alheias, já que ele muitas vezes as toma pra si; seu jeito maravilhoso de ser um ótimo pai do menino mais fofo do mundo!; seu jeito paternal de ser o primogênito, cuidando de seus irmãos menores sempre, até mesmo quando já começou sua própria família com nossa querida Jussara. Ele segue muito bem o exemplo do nosso avô, e se torna, então, um excelente exemplo para todos nós.

Parabéns pelos 30 anos tão bem vividos e, de certa forma, já eternizados. Com muito amor, da sua caçulinha!

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

The colors of Rio de Janeiro - maybe I'm amazed!

Hello there, lads!

Well, I was taking a look at my previous post and I realized I made a huge blunder. After all, I owe the friends I've had the privillege to meet at The Third Forum of the United Nations Alliance of Civilizations, on May, a tribute, for all they represent and fight for in their lives and for what they represent in mine, now.

However, I find that this post has come in a very good moment: because I'm writing it so much time after it all happened, I can show these extraordinary people that no matter how much has gone by, I still think of them, they still mean a lot to me, and shall ever be this way. Even after all these months, I still feel glad to have their contact on my Facebook, I still thank God for giving me that wonderful opportunity to get to know them, for giving me that master gift of living those lovely, lovely days, where I got to know and experience more of understanding, when different cultures and people met in my hometown and, out of that meeting, love, companionship, and mutual dialogue flow like pure water.

It is a big honor, a delightful pleasure to have met you guys.
Thanks a lot for everything!
This is a version in English of my blog's previous post which I prepare specially for you, as a way of thank you better. Hope you like it!



Botafogo beach, Monday to Friday, round 1 pm. I’ll probably be there, in the Underground’s bus, heading for college. And it is in this moving little cube that I start to enjoy, slowly, the colors of my Rio de Janeiro.

Vinícius de Moraes wrote a very beautiful song – what’s new about that? – about the April’s colors, with this exact title. He felt compelled to do so because of April’s afternoons and its tonalities, in the Marvelous City. I don’t say different, but I don’t say the same either. I rather talk about the colors that fill up the city every single day of the year.

Back to the bus. Sometimes, in the middle of such course, I’m reading a text as a college assignment (very often, reading with speed, because I should have already concluded it!). Even in these occasions, it’s impossible, at least for me, to help my eye’s instinctive movement, as they raise to the left and meet the Sugar Loaf Mountain. Oh! Sometimes I think people round me must think I’m a tourist, due to the expression stamped upon my face, silly, amazed, all smily, unable to hide the admiration for nature, for God’s gifts. And why should I hide it, anyway? I ought to – we ought to – be happy and very thankful for having the chance to witness a scene of such high quality. And I shall even more, for I have the privilege to enjoy this view practically every day.

I wonder why on Earth these sights, eyewashes for all eyes, are so underestimated. People, buried in their duties, in their compulsive work (almost compulsory), worried about getting money, raising in life, buying, feeling, doing everything, all the time, seizing every minute, end up, after all, seizing nothing. So absorbed in so many perishable things, so tight up in their instant goals, truly narrow-minded. Out of that, they forget about the essential, which, in this case, is very much visible to our eyes. It is not only visible, but we can plainly see it: it’s in our faces, waiting a tiny stare, fairly earned. On behalf of our happiness! Happiness so many times left behind, perhaps for matters of so little importance.

That obviously doesn’t mean that, from now on, we’ll all stop everything we’re doing as we pass by any touristic spot of Rio and just stay still, drawling. My point is: frequently, we refuse wonderful presents given by God all the time, day by day. Of course, we have our own concerns, we feel tired, we fear problems. And it’s exactly because of that! While watching the twilights, it is beautiful to see how God plays of painting the sky, mixing paled and bright colors, tons and textures, clouds, stars… authentic frameless pictures that no artist could create alone. And He hands them over to us! To the “cariocas” (and all people), the colors of Rio.

In the sunny days, we have colors of the whole Brazil displayed. I witness that not only at the beach, but even in General Osorio square, strolling together with my friend Livia or inside my own college campus. A turquoise-colored sky which I have never seen reproduced in anything made by human hand; yellows and greens from the trees, so bright and shiny. A sweet soft breeze… I know, it is not colored, actually, but it gives the final touch, responsible for making the scene impeachable. The colors of my Rio: vibrant, making all the ones who allowed themselves to be touched by them vibe along.

Even now, as I speak, looking out my window (and I don’t live in any beach zone), the colors are simply fantastic. A sunny day, though full of clouds, some darker, others cotton likewise. In the middle of that, it has rained as well. No, no rainbow came along – that I have seen – but that’s the thing: it doesn’t have to. The scene is worthwhile on its own. Things like that cannot be ignored.

For we all end up, in fact, being endlessly tourists. The divine play of tickle paint brushes through the skies and with the lights doesn’t allow the Sugar Loaf to be the same, ever. There is never a lack of new things to be seen and to be amazed at. There is always something different, an angle, a color, an unseen detail. What lacks is a reason not to stop and stare, and trip just by looking at the wonders. It doesn’t take too much of us.

I know, this is quite a cheesy post. But I’m cheesy, and this is my blog. Therefore, you can’t expect anything rather than that…

Besides, when I see the Sugar Loaf on Botafogo’s beach, being able, in my way back home, also to take a look at Flamengo’s Park, I get a glimpse of the Redeemer, arms wide open for us, between the buildings, for free. Is there a better gift to cheer up a day?



Lots of love,
Mariana.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

As cores do Rio de Janeiro

Praia de Botafogo, de segunda a sexta, por volta de 1 hora da tarde. Provavelmente, lá estarei eu, no ônibus do metrô, dirigindo-me à faculdade. E é nesse cubículo móvel que começo a apreciar, devagar, as cores do meu Rio de Janeiro.

Vinícius de Moraes escreveu uma belíssima música - novidade! - sobre as cores de abril, título homônimo. Sentiu-se compelido a fazê-lo pelas tardes de abril e suas tonalidades, na cidade maravilhosa. Não o desminto, porém também não o parafraseio. Prefiro falar das cores que enchem a cidade todos os dias do ano.

Voltando ao ônibus. Às vezes, em meio a esse trajeto, estou lendo algum texto como tarefa da faculdade (frequentemente, tendo que ler com rapidez, porque a leitura já era pra estar concluída!). Mesmo nessas ocasiões, entretanto, é impossível, ao menos para mim, conter o movimento instintivo que meus olhos fazem, ao se erguerem para a direita e avistarem o Pão-de-Açúcar. Ah! Às vezes acho que as pessoas à minha volta devem pensar que sou uma turista, devido à expressão estampada no meu rosto, abobalhada, embasbacada, sorridente, sem conseguir esconder a admiração pela natureza, pelos presentes de Deus. E por que iria escondê-lo? Tenho mais - temos mais - é que ficar contentes e agradecidos por presenciar uma cena dessa qualidade. E eu, ainda mais, porque tenho o privilégio de ter essa vista presente em praticamente todos os meus dias!


Pergunto-me por que cargas d'água essas visões, colírios para todos os olhos, são tão subestimadas. As pessoas, mergulhadas nos seus afazeres, no trabalho compulsivo (quase compulsório), na preocupação em ganhar dinheiro, subir de vida, consumir, sentir, fazer de tudo, toda hora, aproveitar cada minuto, acabam, pois, não aproveitando nada. Tão absortas em tantas coisas perecíveis, tão encarceradas nos seus objetivos momentâneos, verdadeiras bitolas! Esquecem do essencial, que, no caso, é bem visível aos olhos. Não só é visível, como se dispõe ali, na nossa cara, esperando uma contemplação mínima, dignamente merecida. Para a nossa felicidade! Felicidade tantas vezes preterida, talvez por motivos de pouca importância.

(Ah, quando me refiro a "pessoas", me incluo nesse meio! Dãr.)

Isso não quer dizer, obviamente, que, a partir de agora, vamos todos parar tudo que estamos fazendo quando estivermos passando por algum ponto turístico do Rio de Janeiro e ficar babando. "My point is": amiúde, recusamos presentes maravilhosos que Deus nos dá o tempo inteiro, todos os dias. É claro, temos preocupações, sentimos cansaço, tememos problemas. Mas é exatamente por isso! Nos fins de tarde, é lindo ver como Deus brinca de pintar o céu, misturando cores pálidas e brilhantes, tons e texturas, cirros, estrelas... autênticas pinturas, que nenhum artista poderia criar sozinho. E nos dá de presente! Aos cariocas, as cores do Rio.

Nos dias de sol, é possível até ver as cores do Brasil mesmo. Isso eu presencio não só na praia, mas até na Praça General Osório, caminhando com minha amiga Lívia, ou dentro de minha própria faculdade. Um céu cujo azul turquesa nunca vi reproduzido em nada feito por mão humana. Um verde e amarelo das árvores, tão brilhante. A brisa suave; eu sei, é incolor, mas é o toque final, responsável por deixar a cena impecável. As cores do meu Rio: vibrantes, fazendo vibrar os que se deixam tocar por elas.

Até mesmo agora, olhando da minha janela (e olha que eu não moro em nenhuma Zona Sul, não!), as cores são fantásticas. Um dia de sol, porém cheio de nuvens, algumas mais escuras, outras tais quais algodões. Em meio a isso, até choveu. Não, não veio nenhum arco-íris - que eu tenha visto -, mas aí está: não precisa! Por si só, a cena já vale. São coisas assim que não podem ser ignoradas.

Até porque acabamos, de fato, sendo sempre turistas. A brincadeira divina de tilintar pincéis no céu e nas luzes faz com que o próprio Pão-de-Açúcar nunca seja o mesmo. Não faltam coisas novas com as quais se admirar. Há sempre algo diferente, um ângulo, uma cor, um detalhe inédito. O que não há é falta de motivo para parar e viajar, olhando para elas. Não é preciso muito.

Eu sei, um post meio piegas. Mas eu sou piegas, e esse é o meu blog. Logo, não dá pra esperar nada muito diferente...

Além disso, quando vejo o Pão-de-Açúcar na Praia de Botafogo, podendo, na volta, também ver o Parque do Flamengo, de quebra, ganho uma espiada no Redentor, de braços abertos, entre os prédios. Quer presente melhor para animar o dia?

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Trabalho de História da Comunicação



Os conceitos que relacionei nesse trabalho foram Hiperestímulo, Modernidade e os Games.
Os primeiros games, datados do início dos anos 50, eram ainda bem modestos no que tange aos efeitos especiais, devido às tecnologias da época. Porém, aos poucos, foram evoluindo, apresentando cada vez mais cores, formas, ações simultâneas, representações realistas, efeitos especiais rebuscados, chegando até ao 3D. Tudo isso consiste em uma série incontável de estímulos constantes, cada vez maiores. São muitas informações para o indivíduo captar, sendo essa a intenção: a pessoa tem de ser capaz de absorver esse hiperestímulo, característico dos games, com tal velocidade que possa, concomitantemente, responder a esses estímulos e fazer o que é necessário. Quem assim procede, consegue vencer os desafios apresentados.
A semelhança com a realidade em si é um estímulo. E, assim, os games representam a modernidade, não só pela tecnologia acumulada durante esses aos, mas pelo dinamismo, um universo de acontecimentos num único instante, a sequência de imagens diferentes apresentando continuidade. As músicas utilizadas buscaram selar essa rapidez e o hiperestímulo retratado. Quem está acostumado com vida urbana, por exemplo, parece ter mais facilidade. De qualquer maneira, a própria semelhança - cada vez maior - com as ações propriamente humanas (como podemos ver no Guitar Hero) é um estímulo.