segunda-feira, 16 de agosto de 2010

As cores do Rio de Janeiro

Praia de Botafogo, de segunda a sexta, por volta de 1 hora da tarde. Provavelmente, lá estarei eu, no ônibus do metrô, dirigindo-me à faculdade. E é nesse cubículo móvel que começo a apreciar, devagar, as cores do meu Rio de Janeiro.

Vinícius de Moraes escreveu uma belíssima música - novidade! - sobre as cores de abril, título homônimo. Sentiu-se compelido a fazê-lo pelas tardes de abril e suas tonalidades, na cidade maravilhosa. Não o desminto, porém também não o parafraseio. Prefiro falar das cores que enchem a cidade todos os dias do ano.

Voltando ao ônibus. Às vezes, em meio a esse trajeto, estou lendo algum texto como tarefa da faculdade (frequentemente, tendo que ler com rapidez, porque a leitura já era pra estar concluída!). Mesmo nessas ocasiões, entretanto, é impossível, ao menos para mim, conter o movimento instintivo que meus olhos fazem, ao se erguerem para a direita e avistarem o Pão-de-Açúcar. Ah! Às vezes acho que as pessoas à minha volta devem pensar que sou uma turista, devido à expressão estampada no meu rosto, abobalhada, embasbacada, sorridente, sem conseguir esconder a admiração pela natureza, pelos presentes de Deus. E por que iria escondê-lo? Tenho mais - temos mais - é que ficar contentes e agradecidos por presenciar uma cena dessa qualidade. E eu, ainda mais, porque tenho o privilégio de ter essa vista presente em praticamente todos os meus dias!


Pergunto-me por que cargas d'água essas visões, colírios para todos os olhos, são tão subestimadas. As pessoas, mergulhadas nos seus afazeres, no trabalho compulsivo (quase compulsório), na preocupação em ganhar dinheiro, subir de vida, consumir, sentir, fazer de tudo, toda hora, aproveitar cada minuto, acabam, pois, não aproveitando nada. Tão absortas em tantas coisas perecíveis, tão encarceradas nos seus objetivos momentâneos, verdadeiras bitolas! Esquecem do essencial, que, no caso, é bem visível aos olhos. Não só é visível, como se dispõe ali, na nossa cara, esperando uma contemplação mínima, dignamente merecida. Para a nossa felicidade! Felicidade tantas vezes preterida, talvez por motivos de pouca importância.

(Ah, quando me refiro a "pessoas", me incluo nesse meio! Dãr.)

Isso não quer dizer, obviamente, que, a partir de agora, vamos todos parar tudo que estamos fazendo quando estivermos passando por algum ponto turístico do Rio de Janeiro e ficar babando. "My point is": amiúde, recusamos presentes maravilhosos que Deus nos dá o tempo inteiro, todos os dias. É claro, temos preocupações, sentimos cansaço, tememos problemas. Mas é exatamente por isso! Nos fins de tarde, é lindo ver como Deus brinca de pintar o céu, misturando cores pálidas e brilhantes, tons e texturas, cirros, estrelas... autênticas pinturas, que nenhum artista poderia criar sozinho. E nos dá de presente! Aos cariocas, as cores do Rio.

Nos dias de sol, é possível até ver as cores do Brasil mesmo. Isso eu presencio não só na praia, mas até na Praça General Osório, caminhando com minha amiga Lívia, ou dentro de minha própria faculdade. Um céu cujo azul turquesa nunca vi reproduzido em nada feito por mão humana. Um verde e amarelo das árvores, tão brilhante. A brisa suave; eu sei, é incolor, mas é o toque final, responsável por deixar a cena impecável. As cores do meu Rio: vibrantes, fazendo vibrar os que se deixam tocar por elas.

Até mesmo agora, olhando da minha janela (e olha que eu não moro em nenhuma Zona Sul, não!), as cores são fantásticas. Um dia de sol, porém cheio de nuvens, algumas mais escuras, outras tais quais algodões. Em meio a isso, até choveu. Não, não veio nenhum arco-íris - que eu tenha visto -, mas aí está: não precisa! Por si só, a cena já vale. São coisas assim que não podem ser ignoradas.

Até porque acabamos, de fato, sendo sempre turistas. A brincadeira divina de tilintar pincéis no céu e nas luzes faz com que o próprio Pão-de-Açúcar nunca seja o mesmo. Não faltam coisas novas com as quais se admirar. Há sempre algo diferente, um ângulo, uma cor, um detalhe inédito. O que não há é falta de motivo para parar e viajar, olhando para elas. Não é preciso muito.

Eu sei, um post meio piegas. Mas eu sou piegas, e esse é o meu blog. Logo, não dá pra esperar nada muito diferente...

Além disso, quando vejo o Pão-de-Açúcar na Praia de Botafogo, podendo, na volta, também ver o Parque do Flamengo, de quebra, ganho uma espiada no Redentor, de braços abertos, entre os prédios. Quer presente melhor para animar o dia?

7 comentários:

Thiago disse...

belo post.
também não me canso de admirar a vista quando estou passando pelos lugares bonitos do Rio.

livs disse...

concordo plenamente (;
e pra variar, você arrasando na escrita, hahaha s2

Liana Clara disse...

Por este tipo de texto que não perco nenhum deles! Muito bom. Sabe sempre que me aparece um RSS do A Day in the Life, imediatamente clico pra ler.
Continue nos presenteando com estas imagens gloriosas vistas pelos seu olhos encantados. Beijos Liana

Maria Teresa disse...

Depois dessa madrinha babona, não tenho muito que dizer. Vc transformou um acontecimento cotidiano em prosa poética. Continue exercitando esta sensibilidade que é uma das suas melhores características e que nos encanta, filhinha. Bj

Nana disse...

É isto mesmo Mariana,
Apreciar e se sentir feliz com as belezas da natureza é um carinho muito especial de Deus. Obrigada por lembrar a gente disto. Beijo, Nana

Bruno disse...

Mariana, concordo com todos, as belezas da cidade são inigualáveis.

Além disso, vejo que você está uma ótima escritora.

No entanto, ao mesmo tempo, suas palavras só confirmam: haja tempo livre! Hahahaha...

Beijos, linda e pequena irmã.

Liana Clara disse...

Só podia ser implicância de irmão!

Para se escrever bem não é necessário tempo, basta ter o dom, coisa que falta a muita gente por este mundo a fora!

Alguns minutinhos são suficientes para escrever algumas linhas muito bem. Mas quando não se tem este Dom, nem em uma hora sai alguma coisa que preste.
Continue aproveitando bem seus minutos livres e nos presenteie com seus belos texto.