sábado, 27 de dezembro de 2008

Feliz Natal! Feliz Ano Novo!

video

(Por favor, assista o vídeo. Deixe o coração ser tocado.)

Happy Xmas (War is Over) - John Lennon

So this is Christmas
And what have you done?
Another year over
And a new one's just begun
And so this is Christmas
I hope you have fun
The near and the dear ones
The old and the young

A very Merry Christmas
And a happy New Year!
Let's hope it's a good one
Without any fear

And so this is Christmas
For weak and for strong
For rich and the poor ones
The world is so wrong
And so happy Christmas!
For black and for white
For yellow and red ones
Let's stop all the fight!

A very Merry Christmas
And a happy New Year!
Let's hope it's a good one
Without any fear

And so this is Christmas
And what have we done?
Another year over
And a new one's just begun
And so happy Christmas!
We hope you have fun
The near and the dear ones
The old and the young!

A very Merry Christmas
And a happy New Year!
Let's hope it's a good one
Without any fear...
War is over, if you want it
War is over, ah ah ah ah

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Feliz Natal (A Guerra Acabou) - John Lennon

Então é Natal
E o que você fez?
Um outro ano se foi
E um novo apenas começa
E então é Natal!
Espero que você se divirta
O próximo e querido
O velho e o jovem

Um muito feliz Natal
E um feliz ano novo
Esperemos que seja um bom ano
Sem medo nenhum...

E então é Natal
Para o fraco e para o forte

Para o rico e para o pobre
O mundo é tão errado!
E então feliz Natal!
Para o negro e para o branco
Para o amarelo e para o vermelho
Vamos parar com toda a luta!

Um muito Feliz Natal
E um feliz Ano Novo!
Esperemos que seja um bom ano
Sem medo nenhum...

E então é Natal
E o que você fez?
Um outro ano se foi
E um novo apenas começa
E então feliz Natal!
Esperamos que você se divirta
O próximo e querido
O velho e o jovem

Um muito feliz Natal!
E um feliz ano novo!
Esperemos que seja um bom ano
Sem medo nenhum...

A guerra acabou, se você quiser.

A guerra acabou...

Feliz Natal!

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A obra de arte que é essa música de John fala por si.

Espero que esse Natal tenha revigorado o amor e o respeito ao próximo nos corações de todos nós, pois somos humanos e, sim, somos capazes!

Que 2009 seja iluminado e cheio de inspirações. Que venha com força, harmonia, paz, amor e sucesso na sua vida. Na vida de você, que está lendo o que eu escrevo. Que estas minhas palavras sejam proféticas. E que, por estarem escritas com sinceridade, se tornem realidade!

Amor nos corações e paz na Terra. Que almejemos mais deste tesouro tão preterido, mesmo sendo esse ano esperado ainda prematuro... E que quando ele venha, seja recebido com os cuidados e o festejos de uma autêntica nova criatura em nossas vidas. E que continue sendo tratado assim ao longo do percurso, não importando as adversidades do caminho.

Que quando nos perguntemos, no seu fim, novamente: "And so this is Christmas... and what have you done?", para nós mesmos, tenhamos mais coisas boas para responder, tenhamos mais provas de que iluminamos mais a face deste planeta mal-tratado com boas ações, ações amorosas, que deixem nossas consciencias mais leves e nossa paz de espírito maior... e mais contagiante!

É para isso que o Menino Jesus nos vem. Honremos Sua vinda!

E então isso é Natal!

Feliz 2009! :)

That's all, folks.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

And so this is Christmas...

Inédito: estou atualizando meu blog menos de um mês (do ano de 2008) após a última postagem! (Palmas)

Já estamos há tempos no advento, período de preparação para o Natal. Jingle Bells já soam nas lojas, o Papai-Noel já faz sua abiogênese em cadeia nas mesas de cabeceiras da sala de estar, as guirlandas já fazem as honras da casa nas portas. Presépios são deslocados e colocados, à espera pela vinda do menino Jesus (será que é pra isso?). Os enfeites, as lâmpadas, todo o espírito surgindo, todos os sinais aparecendo, tudo se formando desde o mês de... outubro?

Pois é, ao que me consta (atirem-me pedra se estiver errada) é que essa maratona toda foi largada em meados de outubro. Ok, uma colher de chá, foi mais para o final daquele mês. Truque de marketing cristalino, convenhamos. Afinal, necessita-se de 2 meses para ajudar-nos a colocar o cartão de crédito no vermelho? E eu me incluo nisso, porque o consumismo é forte! Já até disse para minha mãe que acho que existem roupas demais no mundo e que isso só me atenta a olhar mais as vitrines, e atiça mais ainda minha mão a coçar pelo meu bolso (que não corresponde tanto às expectativas).

É a correria... A ansiedade da sociedade, em ver que o tempo está passando, em querer ser prático e se adiantar. Em competir pela melhor mercadoria, em gastar dinheiro (porque fazer isso, sim, é muito prazeroso), em, inspirando-me em minha irmã, "hacer un regalo".

Nada de errado; é normal (notem que isso não é um incentivo ao débito!). Mas só isso, e isso unicamente, dá um vazio tão grande! Outro dia experimentei essa sensação. Tinha visto uma sandália linda numa loja, que aparentemente ficaria ótima no meu pé, ainda sofredor do mal do joanete. E, no meu caso, é muito difícil achar um sapato que não incomode. E ainda tinha um lacinho (sou doida por eles)! Mas vi há muito tempo, e esqueci. Quando resolvi voltar, experimentei a amargura de deixar tudo pra depois e não consumir o que tanto se deseja: não tinham mais o meu número. Patético exemplo, eu sei. Mas aquilo me deixou com uma cara de enterro! (Um minuto de silêncio pelo sapato que não comprei).

Vamos ser compreensivos, também: as fábricas e sapatarias têm preconceito contra pessoas que têm joanete! Esses excluídos da sociedade, para eles, hão de recorrer a um Dr. Scholl da vida, um podólogo, fazer sapato sob medida ou só usar Usaflex. Também, quem mandou eu demorar, né.

Mas tá, não fujamos do assunto. É chato, sim, mas não é nada sério. É frustante, mas não é imprescindível. Claro que não, posto que existem tantos que nem usufruir de uma Havaiana parecem ter direito.

E é esse o ponto de vista que quero abordar. Uma vez conversava com uma moça pobre, humilde. Ela me contava que sempre andava descalça por aquele chão batido de terra e, no entanto, esbanjava simpatia, contando-nos que nunca tinha tido um problema de saúde sério. Realmente, não sei como; mas lá estava ela, descalça, desprovida do "luxo" de usar um sapato e com um sorriso bem maior que o meu no rosto. Isso só mostra como é humilhante o meu luto por uma sandália. Mas é uma coisa que já é consuetudinária àqueles que provém de uma boa condição de vida, que os permite obter essas pequenas coisas: se indignar por besteiras. E, quando não se tem sucesso, afundar-se num vazio tão superficial quanto a necessidade de obtê-las .

"10. dez. 2008 - BRASÍLIA - A Defesa Civil de Santa Catarina confirma uma nova vítima das enchentes no estado. Agora são 123 mortos, além de 29 desaparecidos. O número de desalojados e desabrigados chega a 33.399." (Fonte: http://www.dci.com.br/)

Esses episódios tão tristes trouxeram grande pesar às nossas páginas de jornal no último mês. O verdadeiro luto. Os verdadeiros pêsames. As verdadeiras condolências. E um vazio muito mais profundo, provocado pela visão da degradação da vida humana, pela morte e pela dificuldade de superar a ida de entes queridos.

Mas nem tudo são más notícias...

"O ritmo das doações continua crescente. O Fundo Estadual da Defesa Civil de Santa Catarina, destinado à população afetada pelas fortes chuvas no estado, já arrecadou R$ 22.239.726,05."

Eu realmente fiquei muito comovida quando vi, no Jornal Hoje, os moradores de favelas de São Paulo se mobilizando para juntar roupas e mantimentos afim de enviá-los aos necessitados em SC. Tanta gente com terno e gravata que se isenta desse peso que é a responsabilidade social para com os debilitados, ainda que não morem no mesmo estado, ou sequer pelo fato de morarem no mesmo país; mas sim por se tratarem de seres tão humanos quanto.

E de certa forma aquilo me espantou, porque a matéria era voltada no seguinte assunto: "Por que todo o Brasil está ajudando Santa Catarina?". "O que faz pessoas de todo o país se mobilizarem pelo bem de outras que nem conhecem?" Calma aí, precisa de uma psicanalista, psicóloga, não sei, para dar uma resposta pra isso? Posso estar sendo radical, mas não basta pensar que eles precisavam e isso é primordial? Chegamos a tal ponto da sociedade que você tomar iniciativa por pessoas que estão em apuros é um ato surpreendente, vulgo heróico. Algo digno de super-heróis com visão de raio-X, kriptonianos (sei lá qual é a nacionalidade) e algo natural somente deles. Chegamos a tal ponto de individualismo e egoísmo circuncidando a todos que não se vê mais isso na TV ou no próprio cotidiano, pois estamos preocupados em encher nossos olhos e cérebros com a "junk-food" exibida em horário integral na mídia. E essa (in)digestão em nada nos nutre a alma. Tanto que, agora, é difícil compreender boas ações. Pasmem. Por favor, pasmem!

Mas como é bom que, ao menos, a mídia esteja cedendo o foco para esses assuntos tão alarmantes e os quais, é indubitável, deve-se dar grande atenção. Embora seja suspeita a intenção de alguns, por não sabermos se a doação de uma fortuna é fruto de filantropia ou auto-propaganda. Sim, porque ao vê-los, tantos se sentem animados a fazer o mesmo! Para imitar um ídolo unicamente? É, infelizmente, em alguns casos, sim. Porém, estão ajudando, e isso é o que importa. Deveríamos fazer mais isso, com mais frequencia, tornando caridade não algo admirável por sua raridade, mas corriqueiro por sua beleza e naturalidade.

Ainda mais comovente foi ver um senhor realmente humilde, creio que levando sua contribuição para um posto da Defesa Civil de SC, abordado pelos repórteres, declarando o porquê de estar fazendo aquilo: "se eu estivesse passando por isso, gostaria que me ajudassem". Não posso dar certeza da precisão da fala, mas foi essa a mensagem que ele transmitiu. E resumiu tudo que quero dizer. Quereríamos ajuda também, se fôssemos nós. Para se ver que não é necessário ser alguém escolarizado para entender. É só ser alguém sensível.

Pois é, essa é falta que faz uma coisa que minha mãe me ensinou, o que Moisés disse aos hebreus, que o Cristianismo prega e que todas as religiões que realmente buscam religar-se a Deus, no seu cerne, querem dizer: "não faças ao teu próximo o que não queres que ele faça contigo." Melhor adaptando no caso: "trate os outros como gostarias de ser tratado(a)". A Lei do Amor, na verdade; tão melhor do que a pena de Talião! Porque, como diria Gandhi, o olho por olho nos deixará todos cegos.

Esse egocentrismo todo, inerente a cada um de nós, precisa ser o verdadeiro objeto de batalha. É mister, sim, lutar contra essa ganância, contra esse mal do século, e de tantos séculos, que é querer que toda e qualquer ação tenha algo em troca para benefício próprio; que seja, na verdade, em prol de si mesmo. Fazer o bem não é algo pitoresco apenas de jardim de infância ou lição da bronquinha da mamãe: é algo que deve ser genuinamente praticado, todos os dias, de todos os anos, e não apenas no dia de Natal. Caridade não se remete a ocasiões que, por si mesmas, já são amistosas (ou ao menos deveriam ser); é todo dia um pouco. Em casa também, por quê não? As carências são muitas, e suas formas, diversas.

É necessário dar as caras, como John Lennon fazia, assumir o compromisso de ser um humano (que é enorme, e exige muito, sim!) e não se omitir em nome do comodismo. Ser acomodado é algo tão ruim, tão... ermo, sem graça e sem cor. Mas quando fazemos o certo, nos sentimos mais cheios, não de nós mesmos, mas dos outros. Se é para receber algo em troca, saiba-se que somos muito mais enriquecidos dessa maneira, porque ficamos ricos de tantas coisas mais importantes: amor, visão de mundo, compaixão. Sim, compaixão, que é um sentimento tão capaz de mudar o mundo, pois trata-se de se colocar no lugar do outro, apesar de ser tão complicado sair do nosso próprio. A sensação de retorno é tão boa, melhor impossível, a melhor espécie de "catarse"! Como dizia George, na música "Within You, Without You": "quando você enxergar além de si próprio, então talvez descubra que a paz de espírito o espera."

E o vazio supérfluo é preenchido. Citando Gandhi mais uma vez: "O melhor jeito de nos encontrarmos é nos perdermos no serviço aos outros". Temos tantos a quem nos espelharmos: Madre Teresa de Calcutá, São Francisco de Assis, Papa João Paulo II, John Lennon, Paul McCartney, George Harrison, Princesa Diana, Bob Geldof, Bono Vox, o próprio Gandhi, Martin Luther King... Jesus Cristo, principalmente.

O tempo de renovação esta aí, pessoal. Renovemos nossos corações para celebrar de novo o Natal, tão belo, tão amigável, tão puro. Levemos esse espírito de paz e amor por todos os dias seguintes, ainda que possa estar um pouco diluído. Podemos, sim, com esmero, com amor. Tiremos mais roupas do armário para doar, repartamos mais a comida e o dinheiro, tenhamos fé nas pequenas coisas... O exemplo é o melhor professor.


"Pense globalmente, aja localmente."

"Imagine all the people living life in peace"

"Imagine all the people sharing all the world"

"Raising the spirit of peace and love"

"Precisamos manter a esperança viva, pois sem ela, todos nós vamos naufragar."

"A vida é o que acontece enquanto você está ocupado, fazendo planos."

"We're all water from different rivers
That's why it's so easy to meet
We're all water in this vast, vast ocean
Someday we'll evaporate together"

(Todas por John Lennon, in loving memory)

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Down with the High Society!

De volta à Era Jurássica. Sim, pois foi nela que abandonei meu blog. Não obstante, retornei! Por quê? Porque estava entregue às moscas. Porque sempre retornamos à música que cantávamos. Porque minha sina é escrever. De tudo um pouco. Considerando que, pode-se dizer, abandonei a idéia de fazer Jornalismo, é mister que eu tenha um lugar para extravasar essa latente necessidade, que desperta de vez em quando, sedenta de expressar suas introspecções.

Mas escrever sobre o quê? Já é visível que minha cabeça está parecendo uma teia, um emaranhado de pensamentos ilógicos e insensatos. Penso tanta coisa e quanto mais faço, mais sinto que nada sei. "The more I learn, the less I know". Sim, sim, Beatles, naturalmente! Essa aí foi solta pelo George, em "It's All Too Much". Ele, com seu jeito reflexivo, brilhante, me faz refletir sobre tantas coisas e sempre canta ou diz uma frase que me faz pensar ou identificar-me, principalmente no presente momento. Eu realmente estou numa fase bem "George Harrison" da minha vida. It's all, indeed, too much!

Well...
O mundo.
Cada vez me sinto mais um bicho esquisito dentro dele. Dãr, novidade. Todos nós nos sentimos, ao menos uma vez na vida, estrangeiros dentro de nossa própria soberania.

Famosidade. Que divertido é saber da vida dos artistas! Sim, sim, pode ser bem interessante. Mas o que revira o fundo do meu âmago é a incompreensão que me acomete quando vejo a, a imprensa dos tablóides ir atrás de toda e qualquer calcinha de celebridade que aparece entre um vestido curto dentro de uma limosine. "O ex de Susana Vieira curte praia no Rio de Janeiro". Quem diabos é o ex dela?! E no que isso afeta minha vida? Ah, sim, sim, interessante. Mas chega. Cada vez que abro a página globo.com vejo alguma coisa sobre o bendito ex da Susana Vieira. Que ele tem um novo "affair", que ele curte a praia com uma loira, que a Ana Maria Braga diz que ele é um cafajeste... O infeliz já não tem nem mais nome, só codinome: ex da Susana Vieira. Blá blá blá. Mas veja que ironia: eu falando mal dessa atenção toda a ele e, no entanto, gastei sete linhas dissertando sobre ele, ainda que indiretamente. E nem falei nada sobre a Luana Piovanni! Oh, well...

Tem coisas que não dá para acreditar. Outro dia, folheando uma revista para um trabalho, me deparo com uma pequena janelinha - "Bebendo direto da fonte. Daniele Suzuki em meio ao calor escaldante do Rio de Janeiro, não liga para copo: bebe direto do gargalo da garrafa num restaurante da Zona Sul."
....
What the hell?!
Sim, sim, há muito mais coisas úteis com as quais chocar-me, indubitavelmente. No entanto, faça-me o favor. Por que não deixar a pobre da moça se hidratar em paz? Ah, não, ela tem de seguir as regras da Socila 24h por dia porque ela é uma personagem social. Sim, as convenções do universo da fama estão acima de qualquer casualidade. Qualquer desculpa para cobrir a mesquinharia e mediocridade na tentativa de fazer matéria, seja qual for. Ah, Mulher Melância faz sucesso em Nova York! E isso me interessa porque...? Já é triste demais que alguém que faz lipo e coloca a gordura no traseiro faça sucesso aqui no Brasil, e todos acharem tão engraçado ou bonito (?), quanto mais saber que ela faz sucesso, ainda não entendi por que, no exterior. É assim que se consegue fama hoje em dia? É esse caminho que devemos almejar?


Mas abram alas! Aí vem a 9a edição do BBB: Big Bosta Brasileira. Ah, desculpe, me exaltei. Não aguento mais! Mais uma cambada de improdutivos para agir como naturais carnes inertes durante 3 meses (?). Nossa, isso soou tão capitalista selvagem. Porém, convenhamos: tanta gente trabalha de sol a sol, sob risco de vida, dando o suor do seu rosto para ser engabelado por autoridades, pagar impostos sem retorno em suas vidas e ganhar uma mixaria, e esses ilustres "grandes irmãos" ficam não sei quantos dias numa casa ornada pelos mais tecnológicos equipamentos e modernas regalias e ganham 1 milhão de reais? O que eles fizeram de bom para o mundo, para outras pessoas? Distraíram dos seus problemas. Não, meu caro. Contribuíram para a velha política do 'pão e circo'. Olha lá, assiste Big Brother, a fulaninha bateu na cara da cicraninha e chamou ela de biscate. Aí se desfiam comentários para a semana inteira: dentro do ônibus, do escritório, na fila do banco, do orelhão, na sala de espera, no salão de beleza. Mas, e aquele governador corrupto lá que ia ter seu mandato cassado? Ah, esquece, vamos ligar pro 0800 e votar no Suíço, porque o Alemão já ganhou! O pior é quando se assina Pay-per-view para ter acesso o dia inteiro à casa mais famosa do Brasil! Valha-me! O pobre telespectador (nem sempre um telespectador pobre) gasta dinheiro para dar uma fortuna a alguém que só fez inutilidades durante tamanho espaço de tempo! São muitos dias para tanta superfluidade.

Ei, mas, um momento: Rede Globo não exibe BBB pra fazer caridade. Todos ali estão, comumente, lutando para subir na vida e ganhar dinheiro. Que belo modo, hein. Modo honesto, trabalhador, íntegro! Acrescenta tanto ao patrimônio cultural da humanidade. Enquanto tantas pessoas seguem suas jornadas de 40 horas por semana (ou mais), não residindo, por sua vez, em coberturas luxuosas ou apartamentos nos braços da praia, eles estão lá, nas festinhas, nas bebidas, na piscina e hidromassagem, nas suas atitudes de baixo calão. Mas eles passam fome! Às vezes. Uma vez. Para entreter.
Bem, então façamos um BBB em Serra Leoa. Na, exagero.
Pois é, já está se tornando algo patológico, começando a puxar a sardinha para o verdadeiro Big Brother de Orwell: controlando vidas, manipulando meios de comunicação, com o disfarce de simples diversão.

Teste de sobrevivência é "Survivor - No Limite". Isso é testar o limite da convivência humana. No meio da selva, tendo que passar fome, comer "iguarias", sufoco total. Isso, sim, é dar valor ao que se tem em casa. Há tantos realities shows tão mais interessantes (para os amanteigados, cuidado: "Extreme Makeover - Reconstrução Total" é promessa de lágrimas em todos os episódios!). Big Brother Brasil é mais uma ferramenta de fácil alcance que, infelizmente, mobiliza o Brasil inteiro, para alimentar a vaidade e a sede por fama, essa que se consegue sendo mais uma marionete, e não por mérito próprio; essa que não dura nem um ano, a menos que se vá fazer comercial, trabalhar em novela ou sair em capa de revista. Mais um modo de controlar a população, de "anestesiá-la" das dores cotidianas. Mais um motivo para nós, brasileiros, termos a fama de "malandros" no exterior: algo que era pra entreter uma vez virou objeto de inércia tantas outras vezes, para ganhar dinheiro fácil. Afinal, essa já é a nona vez! Ninguém enjoa, não?

Escusa! Foram apenas tentativas de ilustrar um ponto de vista. Não falo que isso é de agora, porque as disputas de gladiadores no Império Romano foram o berço dessa triste política que se perpetua na humanidade. Devem ser tendências genéticas que a Seleção Natural ainda não conseguiu eliminar (Darwin, certamente, não teria uma teoria científica pra isso). O problema é que algo que a início, supostamente, era para ser algo bobo, ingênuo, pura distração, começa a se tornar algo perigoso, controlador, e, no mínimo, enfadonho. São tão corriqueiros esses fatos que já achamos normal nos depararmos com as mesmas coisas, o mesmo sensacionalismo. O tempo que perdemos com isso é o tempo que poderíamos estar usando para assistir algo mais lúdico, educativo, cultural, que, ao menos, acrescentasse algo. O tempo que escorre desperdiçado nessas atrações é o tempo que seria tão útil para prestarmos atenção na bagunça em que o mundo se encontra e, sem embargo das falcatruas de tantas pessoas anti-éticas, tentar descobrir meios de consertá-la no que pudermos.
Longe de mim querer julgar quem assiste ou lê esses meios comunicativos. Também já assisti novela e vejo alguns episódios esporadicamente: existem novelas que acho boas, sim, que contribuíram algo no meu intelecto (mesmo que para alguns isso seja paradoxal). Também já li, e ainda dou uma olhada na Revista Caras de vez em quando. Têm coisas interessantes, é legal saber de certos artistas que admiro ou não, até para me inspirar em fazer igual o que for bom e contrário o que for mal (Amy Winehouse que o diga! Andei lendo frequentemente acontecimentos sobre seu lamentável trajeto, embora ache-a uma cantora muito boa); para analisar o que a fama traz. O problema é quando se afoga demais nesse universo e esquece-se do próprio, que não é cor-de-rosa e repleto de borboletas. A partir daí, é nocivo. Não que o pedestal da Fama esteja longe do alcance de meros mortais como nós. Não. E não acho um absurdo querer conquistá-la: todos buscam reconhecimento. No entanto, é preciso trabalhar bem no que queremos ser reconhecidos. E que isso não seja fútil, mas que venha a adicionar algo de bom na vida de quem nos conhece ou virá a nos conhecer. Porque esse mundo de High Society é colorido e bonitinho em Gossip Girl, mas se os que não se incluem nele mergulham pela aparente beleza do seu reflexo, correm o grande risco de ou se afogarem ou ficarem fadados a aplaudir e vidrados em observar algo que sempre, por causa de suas próprias atitudes, ficará longe de suas mãos, distante, inalcançável. É necessário observá-lo com cautela. Realmente, esse mundo não é para todos.

Mas deixa estar. Uma vez acharam um absurdo eu não acompanhar novelas porque, desse modo, não tenho como saber do que acontece no mundo... (pausa silenciosa).... Eu sei, eu sei, melhor nem falar sobre isso, senão dá um novo post. Basta saberem que Manoel Carlos é meu novo William Bonner.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Caleidoscópio em sépia

Eis o meu grito
De fulgor comprimido
Nos seus prantos, tão doído
Um grito de quem não tem abrigo

Eis o meu brado
A dor constante, um fardo
Carrego nos ombros, na cabeça, nos braços
Nas profundezas mais intrínsecas
Do meu coração estilhaço

Grito mudo
Porque embora todos escutem
Não excreta a dor
Amargura perpétua
Sem precedentes
tão repentinamente
(na verdade, inexistente)
sem razão, sem amor.

Ai, terror algoz
Uma sensação que parece
nunca padecer dentro de mim
Por que conturbas minha alma?
Por que ainda (até quando) sofro assim?

Dizem tanto nas cantigas
Que depois da turbulência vem a calmaria
Pois eu lhes digo: para mim, não chegou.
Não obstante as lágrimas quentes
que molham o frio marfim
Já não será a hora de a paz chegar, enfim?

Ai, há quanto tempo!
Só o Pai há de saber
E para o Pai eu rogo
Todas as noites (gélidas!)
Sem saber bem o quê
(Ele há de saber!)

Ai, há quanto faz!
que esse mal , aos poucos
como parasita impiedoso
a me consumir se satisfaz
se alastra pelos meus amores,
meus sonhos (não poucos!)
minha coragem, outrora tão audaz!

Um bumbo grande
Em que a bigorna bateu, forte
E agora, ele não volta ao normal (ao meu normal)
E quando vem algum tipo de sorte, a acalmá-lo
lá vou cair novamente no revés
de vê-lo mais fortemente excitado

Uma gaveta
que guardava minhas vestes
tão coloridas, belas, floridas
tão representantes de tudo que acredito
que aprecio, que amo, que sou.
(em algum lugar, eu sei que sei que sou)
Agora, revirada.
De repente, espancada.
Jogaram tudo para o alto
E está tudo tão espalhado!
Tudo voa, de novo, de minhas mãos
Para ficar em todo lugar, ainda esparramado.

Ah, meu Pai, rogo a Ti
Tu sabes meu medo da transformação
Deixar que a correnteza leve
Tudo o que pertence a mim
Não, por favor, não...
Eu não quero ficar de eterno
Com isso dentro de mim.

E essa dor, impávida em meu peito
Parece que já faz parte de quem sou
A única companheira que parece que ficou
Eu, sozinha. Eu e a dor.
Sufoca-me, torna-me anaeróbia
Porque não consigo respirar direito nesse rolo compressor!

Nos meus dias de alegria
Tão ingênua alegria
Me extasiava quando alguém exprimia
uma vontade grande de morrer (Por quê?!)
Mas o tempo, a crise, a "esquisofrenia"
também me trouxeram tais nuances suicidas
Antes, eu conseguia afastá-las habilmente
Com pensamentos singelos de esperança e harmonia
E por mais que o poço fosse fundo
Eu sabia que a luz alguma hora alcançaria
É tudo tão longe, agora, tão escuro
O futuro é tão griz, turvo, obscuro
que eu tenho medo de dar um passo pro lado
Cresceu a meu redor um muro
que torna tudo tão afastado
qe me exclui do mundo, de mim
de tudo (ou quase tudo) que me ajuda a dar mais passos
Me impede de enxergar, de recolocar no lugar
Tudo que sim, permanece em minha alma,
Porém, dilacerado.

Acenda a luz!
Acenda e me busque!
Vos grito e perturbo toda hora
Porque o meu maior medo
É que essa dor faça morada em mim
até a hora de eu ir embora
embora do mundo, embora daqui...

(Mariana Serman)

sábado, 9 de fevereiro de 2008

It was 44 years ago today... \o/\o/\o/\o/


"Here they are... THE BEATLES!"

Ed Sullivan foi testemunha declarada de que nunca em seu programa havia acontecido uma recepção tão calorosa (belo eufemismo para a histeria da platéia) ao apresentar apenas dois nomes de um conjunto. Pois é, quando ele começou a balbuciar a chamada dos integrantes: "John Lennon, Paul McCartney..." o estabelecimento praticamente veio abaixo antes que ele pudesse sequer terminar.
Um segurança que trabalhou no complexo trabalho de evitar que a multidão insandecida corresse abaixo das arquibancadas do Shea Stadium (incluindo até um pique-pega com algumas jovens relutantes em se manter longe dos fabulosos), disse que o chão tremia de tantos gritos, guinchos, berros e afins que brotavam do formigueiro humano à espreita de uma música que saísse dos gênios.
Meu pai, ao ver "A Hard Day's Night" comigo e com a minha mãe, declara: "Hoje em dia não se vê mais esse tipo de demonstração histérica, essas mulheres malucas arrancando os cabelos e etc, não é?".
Claro que não, pai. Isso se chama Beatlemania. Perdura até hoje, imbatível e inigualável!

John Winston Lennon, James Paul McCartney, George Harrison e Richard Starkey não aceitaram ser mais alguns na multidão. Pudera não quisessem, desperdiçar tamanha genialidade seria um crime. Nem poderiam, não sem deixar um legado que institui importância na vida de tantas pessoas mesmo 44 anos depois...E isso condiz em ser o que eles sempre foram, os Beatles.
Mas será que aquilo era realmente o que eles esperavam? Qual devia ser a sensação de 4 músicos que sempre buscaram demonstrar excelência em sua arte ao não conseguirem demostrar para que tinham vindo por causa de tanta gritaria?
John sempre declarou que queria ser famoso. Ele e Paul tinham um caderno de composições apenas deles e se comprometeram a formar a melhor dupla de compositores que já existiu (o que pode se dizer que conseguiram com sucesso!). Porém, o mesmo John já declarara uma vez numa entrevista logo após a primeira apresentação do quarteto nos EUA: "Achei maravilhoso e ridículo ao mesmo tempo. Milhões de pessoas se juntavam pra gritar, nós tínhamos que cantar mais alto ainda e mesmo assim não conseguíamos nos ouvir". Ringo não conseguia fazer algo diferente na bateria porque não daria nem pra uma mosca contígua escutar. Nem os outros conseguiam se aperfeiçoar porque os instrumentos não reverberavam em seus ouvidos, o que comprometia uma boa apresentação. Apesar de podermos ver os semblantes alegres e surpresos com a fama, achando engraçado aquelas malucas batendo nos vidros dos carros em que eles estavam, com certeza era bastante incômodo.
Eu sou suspeita para falar. Realmente, acho que minha reação em estar presente no mesmo teto que os 4 rapazes de Liverpool, que tanto admiro, podendo ter a maravilhosa chance de ouvi-los tocar, também me levaria à exaustão... No entanto, não seria um sinal de respeito e consideração fazer silencio ao menos quando tocam a música (ou cantar junto, o que é uma bela e gratificante demonstração de admiração)? Sim. Mas se fosse dessa maneira pacata, o fenômeno não seria o mesmo. E mesmo que talvez nem todos soubessem do empenho que aqueles jovens exigiram de si mesmos para chegar ali, o fato é que todos se sentiam contagiados.
O mais formidável é ver que se tratavam de 4 adolescentes que se arriscavam vindo de camadas baixas da sociedade, se entregando à sorte, que não lhes era ingrata devido enorme talento que sempre tiveram. Em seus tempos de anonimato cruzavam uma Liverpool inteira em ônibus capengas para descobrir um acorde original que diferenciasse suas canções (trabalho cujo efeito vemos surtido em mais de 200 músicas inovadoras!). Eram canções simples a início, mas que graças a esses experimentos, fugiam do padrão real das bandas da época. Os quatro separados eram bons; juntos, perfeitos em termos musicais. Sim, em termos musicais, pois o que mais pasma é ver como 4 seres, humanos em falhas e acertos, conseguiram ir tão longe a ponto de influenciar música, moda, comportamento e adjacências... Ou melhor, o mundo! As entrevistas eram chances de se ver o sarcasmo, a irreverência, a graça dos rapazes. Em tudo eles botavam um toque britânico e, simultaneamente, em sátira ao pitoresco estilo de vida polido dos ingleses. Fosse mediante piadas, trocadilhos, caretas, quaisquer fossem as palhaçadas: era distribuição de alegria! Os cabelos (ou perucas?!) faziam sucesso e eram compulsivamente copiados. O terninho, os cumprimentos à platéia no final de cada música... tudo neles compelia a uma fama merecida. Todas essas características os faziam subir no pedestal da juventude, dar mais voz à rebeldia dos anos 60, mas sobretudo, era a obra-prima que dava sentido ao contexto: a música. Os que os serviam de inspiração eram grandes: Elvis Presley, Chuck Berry, Little Richard, Ray Charles... como não construir uma base sólida com tais nomes? E a base sólida serviu como alicerce de superação: a música que eles faziam carregava seus ídolos nas raízes, mas tinha algo de novo, algo só deles, algo exultante! Uma energia que parece correr pelas veias, como um choque elétrico! Eles encontraram a forma de mesclar a música negra do rock’n’roll, (da qual eles eram grande fãs, e não ia ser “apartheid” que ia mudar isso), numa injeção de Rhythm & Blues com a qualidade do rock britânico; a fórmula genuína da Invasão Britânica. Foram motivo de orgulho na Inglaterra (e divisas), sendo levados ao palácio de Buckingham para se tornarem Membros do Império Britânico! E não importa quem se revoltasse com 4 músicos sendo daquela maneira renomados, o fato é que eles mereciam, porque muito dos membros haviam chegado àquele patamar por mérito de guerra, enquanto eles chegaram por fazer música, paz e amor!

Tudo isso é a mania, uma mania saudável que eles nos trouxeram. Tudo isso foi tanto intenso quanto extenso, durando até os dias de hoje; mas teve o pico em um ano: 1964. Pra ser mais precisa, a exata data comemorativa é 9 de fevereiro de 1964. Há 44 anos atrás... há mais de 4 décadas... isso é ou não é motivo de comemoração? Eles se fincaram no tempo e na história, por talento próprio, com uma trajetória admirável apesar de todos os percalços! Eles mereceram e se firmaram com a melhor fama: a fama de serem o mais famoso quarteto de Liverpool, a melhor banda de todos os tempos: The Beatles!

Meu avô bem dizia: eles juntos possuíam uma harmonia que não era equiparável, era fantástica. Minha avó também diz: eles trouxeram uma irreverência, uma alegria, uma voz que nunca presentes antes, mudaram inúmeros aspectos com isso. Eles conquistaram a todos: idosos, crianças, nascidos no berço do rock’n’roll ou não, adolescentes... e até hoje o fazem, até mesmo unindo pessoas que nem sonhavam com a existência umas das outras, mas que tiveram esse motivo mais do que admirável para estarem juntas! Dilataram o mundo, mas diminuíram a distância, de forma bem sonora, absurdamente linda. Um belíssimo trabalho, em todos esses aspectos. Um ótimo proveito do dom que receberam de Deus. Somos testemunhas vivas e andantes disso (ainda bem!). Alguns dizem que é preciso inteligência para se ouvir Beatles. Eu discordo; é preciso apenas sensibilidade. As músicas por si mesmas fazem o resto do trabalho, pela viagem que percorrem dos ouvidos até os dedos do pé de um ouvinte. Ouvir-lhes-emos... hoje e sempre!

Perdão pelo tijolo, pela prolixidade... é como o fascínio por essa banda, ou melhor, por esse verdadeiro conjunto (que conjunta tantas coisas!) exerce dentro desta escritora de meia-tijela que sou, que com mesmo diante de toda essa visível incompetência, ainda se vê no deleite de escrever sobre eles... Mais e mais... mesmo que nunca chegando a um ponto final.
Afinal, eles sempre serão um dos meus maiores amores!


E pra finalizar, o hino da Beatlemania (que foi o que realmente iniciou a conquista dessa fãzona tiete e babona aqui!):

She Loves You

(Lennon/McCartney)

She loves you, yeah, yeah, yeah!
She loves you, yeah, yeah, yeah!
She loves you, yeah, yeah, yeah!

You think you've lost your love
Well, I saw her yesterday
It's you she's thinking of
And she told me what to say
She said she loves you!
And you know that can't be bad
Yes, she loves you
And you know you should be glad!

She said you hurt her so
She almost lost her mind
But now she said she knows
You're not the hurting kind
She said she loves you!
And you know that can't be bad
Yes, she loves you,
And you know you should be glad!
Woooh!

She loves you, yeah, yeah, yeah!
She loves you, yeah, yeah, yeah!
And with a love like that,
You know you should be glad!

You know it's up to you
I think it's only fair
Pride can hurt you too
Apologize to her
Because she loves you!
And you know that can't be bad
She loves you,
And you know you should be glad!
Woooh!

She loves you, yeah, yeah, yeah!
She loves you, yeah, yeah, yeah!
And with a love like that,
You know you should be glad
With a love like that,
You know you should be glad
With a love like that,
You know you should... be glad!

Yeah, yeah, yeah!
Yeah, yeah, yeah!
Yeah, yeah, yeah, yeah!




VIDA LONGA AOS REIS DO IÉ-IÉ-IÉ! /o/\o\/o/\o\

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Oportunidades

É incrível a capacidade de cronologia das oportunidades...Muitas vezes sua organização nos dá a impressão de que alguma veio a transcorrer em nossas vidas na hora errada, no momento em que precisávamos menos. Contudo, elas são, de fato, perfeitamente predispostas por Deus, pelo destino e suas consequencias. Erro grave é afirmar que não temos culpa do que vem pela frente, pois são nossas atitudes pressupostas que provocam tudo, majoritariamente. Óbvio que, como tudo, existem exceções, pois a partir de um momento não depende mais de nós, do que pensamos, do que sentimos... Nem mesmo do que fizemos...Já foram muitas as oportunidades que me passaram. Tenho a crença de que aproveitei a maioria, e assim espero que se confirme porque, do contrário, não estaria escrevendo tal declaração aqui. Muitas foram, tanto quanto, as que perdi, e igualmente espero não ter perdido nada com isso... Se perdi outrora, que eu tenha compensado com as que aproveitei, e muito bem aproveitado.Às vezes, tenho a impressão de que os meus convivas, as pessoas que me cercam, são as que não aproveitam as chances que a vida lhes oferece. Talvez porque, muitas vezes, sou eu a portadora dessas chances, que ao meu ver, são primordiais. Mas, pergunto-me, quem sou eu para julgar? Sempre há aquela chance única que perdemos. Aquela palavra que preferímos conter por medo das mudanças que poderia causar; aquele sorriso que escondemos atrás de lábios fechados pela precaução de demonstrar mais do sentimento do que achávamos que devíamos; aquele gesto que, por mais simples que fosse, fez contraír nossos músculos e sentidos e esmoreceu, perdendo-se no meio da história... Enfim, aquilo tudo que não fizemos levados pelo medo natural da vida, característica do ser humano.Tem vezes em que é preciso superar limites. É preciso reconhecer que oportunidades são cercadas de barreiras, vulgo verdadeiras muralhas, que nos intimidam à início, provocando um movimento de recuo, mesmo que involuntário. Mas é o desafio que nos faz crescer. Amadurecer...

Não se render aos percalços que a travessia dessa grande metamorfose que o 'sim' a certas oportunidades pode trazer se faz necessário, pois condiz em ser maior. Superar esse medíocre medo do novo, da mudança extraordinária. Um medo provido mais de comodismo do que de receio; medo de que nossa vidinha tão pacata e metodicamente funcional venha a sofrer mudanças, mudando nosso conforto e cotidiano rotineiro.Se partimos do pressuposto de que tudo pode dar errado, podemos perder a grande chance de fazer tudo dar certo.Chances únicas, no entanto, paradoxalmente, sempre presentes em nossas jornadas. Não obstante, elas nunca são as mesmas e raramente nos levam pelo mesmo caminho, o caminho que queríamos...A solução é diferenciar, porque tal aproveitamento é o óleo que não nos deixa enferrujar e nos serve de combustível e combustão. Ser cauteloso, sim. Omisso, não. Que façamos então as escolhas certas, não com o simples intuito de errar ou acertar. Não. Mas sim, com o intuito sincero de viver, e eu digo viver cada minuto, como deve ser...

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Receita de Ano Novo


"Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre."

(Carlos Drummond de Andrade)


Eis o jeito que senti ser o melhor para começar o ano de 2008!
Não sei se o que afirmo é fruto da minha ignorância literária, mas acredito que Carlos Drummond de Andrade é célebre por suas poesias e citações de fim de ano. Tanto o é, ao menos para mim, que meu primeiro intuito foi de colocar o poema onde ele elogia a divisão do tempo em anos, a industrialização da esperança. Mas quando fui procurá-lo, me deparei com esse, que me encantou mais. Tem um quê cético, talvez, em certos versos, mas expressa claramente a necessidade intrínseca numa celebração de um novo começo de ano: a necessidade de não só querer mudar, e deixar as mudanças a cargo da esperança que existe em todo mero ser humano; mas sim, fazer por onde vê-las acontecer. Como disse Drummond, a esperança não decretará por si mesma um janeiro portal de um ano diferente. Um ano em que as pessoas sejam melhores. Um ano em que o mundo viva em paz. Um ano em que o aquecimento global seja erradicado. Que as pessoas estejam mais conscientes. Que o mundo esteja menos comercial. Que a humanidade esteja menos preguiçosa.

Fim de ano, época de festas, bebidas, celebrações e desejos sinceros de um futuro melhor, ainda que não o possuamos e saibamos que existem desgraças por vir. Para quê pensar nas desgraças, se tentar prevê-las pode nos impedir de impedi-las? Acredito que um dos maiores perigos implicantes dessa época do ano é mais uma vez o parasitário comodismo. Nos encontramos muito condicionados a vestir branco, a estar com amigos e família, a ligar uns para os outros para dizer um "eu te amo" dotado de empolgação... apenas no fim do ano. Nos vemos acomodados em pensar que somente "ano que vem será diferente", e ano que vem estaremos falando o mesmo que falamos no dia 31 de dezembro. É praxe guardar nossa benevolência para ser empregada somente nas festas de final de ano. É comum que nos empenhemos em ser mais dóceis e mais ativos em atingir objetivos e consertar defeitos quando nos vemos deparados com um novo começo de era, parecendo nos exigir isso tudo. Mas depois a euforia de somente aproveitar e nunca se preocupar nos faz, como bem disse Drummond, engavetar os projetos tão benéficos ou até filantrópicos.

É claro que esses dias que profetizam um fim e procedem um início são especiais. Longe de mim querer tirar a verdadeira emoção de um final de ano, cuja importância considero imensa! É preciso deixar fluir todas as vibrações positivas sim, no final de ano, para juntar energias tão positivas quanto (ou mais!) pro próximo. E também, se não fosse assim, que valor teria, não é mesmo? Seria como perder um energético humano poderoso que é a virada, os segundos que antecedem a meia-noite, o sentimento que fortalece nossos elos a quem amamos, como um suspiro aliviante que sai da alma e nos faz sentir mais leves. É muito importante! E ainda que seja uma vez ao ano que descubramos como o homem pode ser bom... como a natureza dele, à parte todas as suas mazelas, pode ser pura e desejar somente o bem. Uma oportunidade para se lembrar que o mundo repudia a Guerra e abraça a Paz...

Mas não nos esqueçamos nos dias que hão de vir, que cada novo dia pode ter um pouco de um novo ano. Que vivamos o dia de hoje como se fosse o último (Carpe! Carpe Diem!) e que nunca esqueçamos de, periodicamente, ou quando o sentimento mostrar, demonstrarmos o quanto os convivas que nos cercam nos são essenciais (sem nunca vulgarizar tão belo gesto!). Que não nos deixemos vencer pela ganância, vaidade e egoísmo que nos fazem querer que o ano que vem seja uma oportunidade de realizar nossos próprios planos, e nada mais. Que o sentimento de amor ao próximo perdure, ainda que não com as turbinas que o turbulentam num final de ano. Que seja sempre nova nossa esperança, ainda que não se renove como na virada de mais 12 meses. Ela precisa ser nova, ser revigorada de tempo em tempo, pra nunca, jamais, se desgastar!

Que os planos para fazer um mundo melhor não façam parte apenas de um cliché de fim de ano. Que seja pra valer! Que nos esforcemos e merecemos que esse ano seja diferente, seja NOVO!

"O ontem já se foi. O amanhã ainda não veio. Temos o hoje; comecemos." (Madre Teresa de Calcutá)

Um muito feliz 2008 a todos nós, em todos os cantos desse planeta! Que Deus nos abençoe dê sempre forças para nunca desanimarmos em mais uma jornada dura e exigente... E que o amor sempre esteja vivo em nossos corações (é tudo que precisamos!). PAZ, AMOR, PROSPERIDADE, SAÚDE.. e ESPERANÇA! Mas que nunca achemos que só ESPERANÇA fará tudo por ela mesma. Que nos mexamos pra sermos melhores. A cada dia desse ano mais!

"Life is very short and there's no time for fussing and fighting, my friend." (Lennon/McCartney)